VII Varal de Poesias

outubro 23, 2012 UnirConhecimento 46

1º lugar  – ARRISCADO

Autora: Tatiana Alves (Rio de Janeiro, RJ)

 

O risco é o acaso no caminho.

É o atalho, o ato falho,

O desvio que apraz.

 

O risco é o preço da conquista.

É o blefe, o simulacro,

A aposta que se faz.

 

O risco é a negação no papel.

É a emenda, é a rasura,

A verdade que se inventa.

 

O risco é o riso acompanhado

De um de coragem

De quem corta e rabisca

E, riscando e arriscando,

Passa a vida a limpo.

 

 

2º  lugar – ESCADA DE PAPEL DE SEDA

Autora: Perpétua Amorim (Franca, SP)

 

Vento…. vento….ventania

Faz das nuvens maresia

Para o menino de pé descalço

Escadas pra fantasia

Enquanto a pipa ligeira

No céu azul rodopia.

 

Rodopia… rodopia

E o menino dando linha

As cores soltas no ar

Voam sem ter asinhas

E, a rabiola comprida

Nos anjos faz cóceguinhas.

 

Vento.. vento…ventania

Sopra o elixir da alegria

Leva a claridade do dia

A lua sem pedir licença

Invade o quarto e espia

Pelo buraco da porta

Enquanto o menino dorme

 

O que importa?

A pipa continua sonho

E, entre estrelas, rodopia.

Rodopia… rodopia…

Linda, linda!!!

Agarrado a rabiola,

E nas suas cores em desalinho

O menino brinca nas nuvens

Desafiando os passarinhos.

 

 

3º  lugar – O TEAR 

Autor: Paulo Franco Franco Ribeirão Pires, SP

 

Na lembrança

um campo de girassóis,

um pôr-do-sol tecido de paz

e o poema de um menino

que não existe mais.

 

Na correnteza dos dias

o ruir de alguns sonhos

que não teceram realidades,

o fluir de esperanças

que foram despencando

como pétalas que se despedem da flor

enquanto que estercam o jardim

para que a vida se reedite.

 

A mãe na janela,à boca da noite,

a entrelaçar olhares no horizonte incerto,

a lamparina a tremular

figuras na parede envelhecida,

a fome de alguma coisa que não se tem

a fazer teias sobre a ilusão.

 

Lá fora, o som da mata no escuro

insistentemente a lembrar

que o futuro é sempre o porvir

já que o presente o tece lentamente

enquanto que se desfaz.

 

Ao amanhecer

o fogão à lenha reaquecido,

o cheiro do café

anunciando a continuidade

do tecer da vida

que tecida

se desmancha em lembranças

sobre ausências irreversíveis

 

 

4º lugar  –  ABRAÇO 

Autor: Renato Vieira Ostrowski (Campo Magro, PR)

 

Sinto o abraço da manhã

em tudo que faço e posso

sinto do verso um afago

e esse poema me puxando pelo braço.

 

Não quero ser homem de ferro e aço

só quero o abraço da vida

que deixa minha rima atrevida.

 

A semente dos meus dias

quero que brotem fazendo algazarra

e o abraço da criança fazendo estripulia.

 

No lombo do tempo abracei o meu destino

botei esporas na vida corcoveei o passado

meu pala aquece meu sonho de menino.

 

 

5º lugar – BENDITO OS FRUTOS

Autor: Denivaldo Piaia Campinas, SP

O horror estampa as faces dos filhos

Como se enxergassem os fantasmas que não vemos.

Os fantasmas somos nós,

A nossa velhice,

A mesmice.

Tudo o que não querem é ser o que somos.

Somos aparências preocupadas com as línguas de fogo,

Somos os fantasmas que os espantam.

Se somos assim, são assados.

Não, não estão errados.

Falamos muito e fizemos pouco.

Buscam o choque para nos mostrar,

Só eles enxergam que ficamos velhos.

Pijamas, chinelos, TV, lembranças, Beatles…

As mentiras que contamos já não convencem,

Descobriram que não fomos heróis.

Amanhã estarão se olhando no espelho,

Vão descobrir que solidão não sara quando vem de dentro.

Benditos os frutos da nossa família.

6º lugar – O HERDEIRO 

Autor: JOÃO ELIAS ANTUNES DE OLIVEIRA (Taguatinga, DF)

 

O que fica é a bengala,

O dente de ouro,

Os parafusos da perna,

A sacola das tralhas.

 

O que fica é o diário perdido,

A fotografia amarela,

O prato de porcelana,

O aparelho do ouvido.

 

O que fica são os óculos grossos,

O terno antigo,

A pedra de fazer fogo,

O apanhador de moscas.

 

O que fica é a caneta,

As economias da aurora,

As memórias da sombra

E o verme do tempo.

 

 

7º lugar –  APARÊNCIA 

Autor: Lucas Corrêa Mendes (Araguaina, TO)

 

Roubar o sono pra ficar acordado,

Empurrar o chão pra ver o penhasco,

Usar colírio e dizer que chora,

Debruçar sobre o relógio mentindo que não demora.

 

Os sentidos não podem ser a conveniência,

Nem as falas, formas de aparência,

A força do fato faz falta em favor da verdade,

A forca do falso traz a falha da dor em piedade.

 

 

8º lugar  – TORPOR

Nome: ANA LIA PORTO SAADJIAN (Londrina, PR)

 

Talvez não haja

Uma razão velada

Um bem maior

Nessa jornada

 

Talvez a vida seja

Uma sucessão de atrasos

E desencontros sem acaso

Para amenizar a tristeza

 

Pode ser que não exista

Um caminho a seguir

Um destino a cumprir

Nem horizonte à vista

 

E se assim for

Somos folha ao vento

Vela noite adentro

Torpor

 

 

9º  lugar – LEITURA A QUATRO MÃOS

Autor: Carlos Alberto de Assis Cavalcanti Arco Verde, PE

 

A cigana

lê a mão

nas entrelinhas

da fantasia

que enche o coração

do consulente

esperançoso.

A cada declaração,

revela os segredos

contidos nas linhas

da imaginação,

nem sempre os mesmos

das linhas da mão.

Assim, ela (d)escreve,

para o ouvinte atento,

seu próprio invento

de ambígua linguagem

que aos dois engana

na mesma viagem.

 

 

10º lugar – ATREVIMENTO 

Autor: Geraldo Trombin Americana, SP

 

Fez-se insolência,

Revisitando cômodos poeirados, descômodos,

Da minha puerícia.

 

Fez- se descaramento,

Picante molho no olho

Resgatando meu pubescente acanhamento.

 

Fez-se despudor,

Nudez-timidez-mudez, furor

Atiçando meu juvenil instinto descobridor.

 

Fez-se ousadia,

Repousando seu corpo a corpo

Em mim, sua derradeira estadia.

 

Fez-se petulância,

Abusou da flagrante-fragrância

Das nossas peles em flamância.

 

Fez-se audácia,

Bloqueando minhas hemácias,

Falta de oxigênio…

 

Fez-se deliciosa perspicácia!

 

 

 

Poesias semifinalistas 

 

A CASA 

Autora: EDNA DAS DORES DE OLIVEIR COIMBRA (Rio de Janeiro, RJ)

 

As paredes são de um branco encardido

E o chão, de um cinza fosco,

Riscado, surrado.

Vou de um lado para o outro

Em busca de paz.

Os que encontro pelo caminho

Estão na mesma expectativa que eu.

Havendo, então,

Uma constante caminhada,

A deles,

E a minha.

Olho para os lados,

E o que vejo?

Estou cercado por homens

E por grades.

Nesse momento fecho os olhos

E o que me cerca?

Meus medos,

Meus delírios,

Minhas ansiedades.

Não tenho como fugir

Nem dos homens,

Nem de mim.

Então, resignado,

Ponho-me estático em qualquer lugar

Ficando horas e horas,

Até que venham me buscar.

 

 

A DOR DE UM ESPINHO 

Autora: CLÁUDIA VALÉRIA MIQUELOTI (Nova Iguaçu, RJ)

 

Ao sabor das horas descanso

Minha mente segue seu caminho

Quero agarrar meu destino, mas não alcanço

Pesa-me no peito a dor de um espinho

 

Exalo as ideias pelo avesso

Meu coração bate em desalinho

Quero acordar, mas adormeço

Na solidão sem seu carinho

 

Os sonhos perdem o viço

Meu desejo azeda como o vinho

Quero acreditar no amor, apenas isso

Não mais viver assim sozinho

 

 

A PROMESSA DO ACONTECER

Autora: CLÁUDIA VALÉRIA MIQUELOTI – (Nova Iguaçu, RJ)

 

Sou um pequeno grão de areia

No vasto espaço do mundo

Sou a chama que incendeia

O amor fecundo

 

Sou o brilho das estrelas

Na poeira do anoitecer

Sou a luz que espelha

As sombras do amanhecer

 

Sou a vaidade do entardecer

Brincando de galho em galho

Sou o suspiro do infinito

 

Gotejando bálsamo de orvalho

Sou o sentimento mais bonito

A promessa do acontecer

 

 

ACONTECEU NA MINHA RUA 

Autora: Karline da Costa Batista (Aracati, CE)

 

Não havia vagas

Braços fortes cruzados

Corpos robustos escorados

Sem vagas. Só lamento.

 

Mais uma vez o homem volta ao lar

Sem um tostão no bolso

Sem um quinhão de dignidade

Só um trago de desgosto.

 

A mulher vai perguntar.

O filho vai chorar.

A filha vai pedir.

Mas ele não lamentará.

Pois desta vez ele trará

Uma bala embrulhada no peito.

 

 

AMADOR  

Autor: Lucas Corrêa Mendes (Araguaína, TO)

A razão quer ser amiga do peito, mas não sai da cabeça,

Já o peito, é posse da emoção por mais que ele padeça,

Impossível é medir a imprevisão da mente humana,

Indeciso e frágil é o coração de quem ama.

Bobo sou na medida do meu descompasso,

Em mim ficou o sonho do abraço,

A dor que no peito sinto,

A cor que no sorriso minto.

Não sei o jeito certo de saber,

Não lembro como faz pra esquecer,

Assemelho-me a quem me parece diferente,

Corro atrás de quem estou à frente.

Trago a imprudência no coração,

Trago as incertezas pelo pulmão,

Eu sou puro e simples amador,

Afinal, para amar, nunca foi preciso ser doutor.

 

 

APELO 

Autor: NILTON TADEU DA SILVA SILVEIRA (Porto Alegre, RS)

 

Bateu saudade

Do amor morrido

Queria vê-lo

Senti-lo

Vísceras sem pelo

 

Memória viva

Inquietação

Desvelo

 

 

AQUARELA

Autor: Fabio Jose Moreira da Silva (TIBAJI, PR)

 

No silêncio dos corredores brancos

Espero findarem o amargo de meus dias;

Que a doçura de seu amor

Tire o exaspero de meu ser

Livre o âmago da seiva insossa

Que insiste em circular ali e aqui

Como notas de uma melodia triste

Daquelas que se ouve em dias de chuva…

 

E aquela velha canção insiste em ecoar

Na imensidão do pátio;

Nas lápides frias e apagadas

Insiste em renovar memórias

Que há tempos se haviam esquecido (ou não)…

 

Nessa paixão que toma todo o orbe,

Transfigura espirais em planisférios ectomorfos

Onde cálida e lentamente o coração planeja

Derreter os sincelos que recobrem minha tez

Vendo de novo aquele seu olhar,

Apressando o seu lento caminhar…

 

Tomando pra mim toda bruma

Assoprando as nuvens negras aos pares

Limpo meu céu, minha tela em branco então

Pronta para receber nova coloração…

 

 

COMUNHÃO 

Autor: FRANCISCO JOSÉ GOMES CORREIA (IZELA-GUIMARÃES-PORTUGAL)

 

Corri solto, Ah… de encontro ao mar

Fui recebido de peito aberto

Às ondas em saltos a festejar

Entreguei meu coração liberto.

 

Não sei se é amor mas seja o que for

É tão intenso… sabe a verdade…

Até rimam as carnes com furor

Parece não haver gravidade!

 

As palavras são reinventadas

Pelo allegro marulhar das marés

As emoções são redesenhadas

 

Pelo debrum da maresia, porfia

De sinestesia de lés a lés!

Amar-só-pela-vida… poesia.

 

 

É-DIFÍCIL NÃO SENTIR A POESIA 

Autora: Simone dos Passos Martins de Melo (São Paulo, SP)

 

Arte pura, colorida cheia de Vida!

Arte misturada ao concreto, abstrato

no trato com o ser humano.

Uma visãode mundo suburbano…

Aliado ao mundo consumista.

Arte pura, limpa, altruísta…

Criada da essência do artista,

misturadaa alma de poeta que,

ao misturar astintas e suas cores,

provoca, instiga. Sem deturpar valores!

Ativa a circulação das veias,

entorpece a alma de teu povo.

Uma sociedade biônica, robótica…

Vista na simbiose popular. Tatuada na epiderme.

Arte simples, bela e singela.

Epopeia assimétrica da visão,

misturando tua vida com a do artista.

Arte na rua, no asfalto quente, insolente!

É-difícil, porém, possível…

Arte que respiranovos tempos,

novos nuancem, para quem sabe,

surgir o respeito às adversidades .

Tua cidade na arte que respira vida…

Tua vida que respira na arte de tua cidade!

Arte real…Nunca falida…

 

 

ESTALACTITES 

Autor: FELIPE CATTAPAN (Rio de Janeiro, RJ)

 

 

o pedinte espera o poeta espera a adolescente espera os atores

pelo milagre pelo fonema pelo telefonema convalescentes após o espetáculo

ainda esperam inconscientes

pelos aplausos solitários, ausentes

 

o autor o doente o solitário o leitor

espera espera espera espera

um elogio a esperança a espera o fim do espetáculo

 

o velho a criança a espera

não espera ainda nos espera

mais não espera e exaspera

 

espera: espera:

era uma fera

coberta que nos espreita

de heras e desespera

 

espera quimera


 

FAROL DE UMA NOITE ESTRANHA 

Autor: FELIPE COSTA SENA DA SILVA (Seropédica, RJ)

 

Ventos sopram sem parar,
Uma brisa fria em alto mar,
Um brilho do céu desce,
Refletindo na proa do barco.

Estrelas sorriem,
Como querendo dizer algo,
E as ondas estremecem.

A chuva canta sua alegria,
Em um show de sincronia,
Intensidade em plena harmonia.
Gotas de água de várias cores,
Pintam a paisagem,
Que anuncia uma verdade,
A escuridão, só está de passagem.

Olho pro outro lado,
E lá estão elas,
Conchas, pedras e ilhas.
Será realidade ou fantasia?

Plateia de um cenário obscuro,
Magia que contrasta com o futuro,
Claro e imponente,
O sol surge,
E tudo para de repente.

E as cortinas do espetáculo,
Se fecham em meio a aplausos.

Raios trazem um novo dia,
Que fotografa a sinfonia,
Dos atores que guardam um segredo,
A noite pode ser dia.

LIBAÇÃO  

Autora: TATIANA ALVES (Rio de Janeiro, RJ)

 

As musas entoam seu canto arcano

E, tão ardilosas, aedos inspiram.

Em seu voo cego, num baile insano,

Poderes e feitos heroicos transpiram.

 

São como Medeia, cruéis e ferozes,

São como Jasão face ao velocino.

Seu canto-memória traz dores atrozes

E a todos enleva, estranho fascínio.

 

E tecem castigos em teias e tramas

Celebram banquete veneno memória

Buscando o saber das esferas profanas

Que cortam, destecem, mas fazem a História.

 

 

LIVROS 

Autor: ROBINSON SILVA ALVES (Cocari, BA)

 

SOU PRINCIPE ENCANTADO

QUE COM MEU CAVALO ALADO

SALVO PRINCESAS

DE DRAGÕES MALVADOS

 

APRENDIZ DE FEITICEIRO,

BRAVO SONHADOR,

ASTRONAUTA NO ESPAÇO,

ROMÂNTICO.

SEDUTOR.

 

ENFRENTO MOINHOS DE VENTOS,

ERGO CASTELOS DE AREIA,

UM PESCADOR DE SONHOS,

APAIXONADO PELA SEREIA

 

NA NOITE SOU POETA

NOBRE TROVADOR

VOANDO NAS ASAS

LIVRES DO CONDOR

 

SOU LETRA.

PALAVRA.

LÁGRIMA.

SOU DOR

 

O ROMEU DE JULIETA,

BENTINHO DE CAPITÚ

A PURA EMOÇÃO,

ROMANCE.

DUVIDA.

PAIXÃO

 

SOU O ÍNDIO QUE VIU A NAU

A ESQUADRA DE CABRAL

VASSALO MEDIEVAL

OU NOBRE SENHOR FEUDAL

 

NASCIDO EM TERRAS DO SEM FIM

NO PAÍS DO CARNAVAL

SAMBA.

SUOR.

CACAU

 

CAVALEIRO DO REI ARTHUR,

GUIADO PELA ESPADA EXCALIBUR

 

VIAJO POR MUNDOS PERDIDOS,

DESCUBRO TESOUROS PROIBIDOS,

SEGREDO ANTES ESQUECIDOS

 

LUTANDO CONTRA O MAL

SOU SUPER-HERÓI,

COM SUPER-PODERES,

SOU FORTE E VELOZ

 

COMBATO A TIRANIA,

COM A FORÇA DE MINHA VOZ

 

POIS SOU AVENTUREIRO,

MENINO ARREDIO,

BRAVO BRASILEIRO

FILHO DO BRASIL

 

SOU PILOTO DE AVIÃO

O MAIS BRAVO CAPITÂO

SOLDADO DE GUERRA

NA MAIS DIFICIL MISSÃO

 

ENFRENTANDO COM VERSOS,

TIROS DE CANHÃO

 

SOU TUDO ISSO,

E MUITO MAIS

NAS PÁGINAS MÁGICAS,

DOS LIVROS.

 

 

MARCA

Autora: TATIANA ALVES (Rio de Janeiro, RJ)

 

De latejos, de lembranças,

De tudo o que fui ou fiz,

Vêm as marcas, vêm os sonhos,

De alguém que foi feliz.

 

Como um grande lenitivo,

Surge o tempo, esse juiz,

Que me mostra, inclemente,

Como os homens são vis.

 

E prossigo, renitente,

Sem exílio ou país.

Já não sou porto seguro:

Já sou planta sem raiz.

 

E ao longe, bastidores,

Na coxia, feito atriz,

Piscam fundo minhas dores

Nessa minha cicatriz.

 

 

MENINO DE RUA 

Autora: ALINE COSTA SENA DA SILVA (Itaguai, RJ)

 

Enegrece e acontece,

O jovem esmorece,

À surdina da noite,

A tristeza descortina em sua mente.

 

A realidade do amanhecer,

Desamparo, dor, angústia no sobreviver,

Fome durante a madrugada,

Nas pontes úmidas e sombrias da caminhada.

 

Uma luz longínqua aparece,

É a sua chance de vencer,

Não houve tempo para pensar,

Lúgubre foi despojado.

 

Restaram lembranças na cidade,

Daquele corpo delgado da mocidade,

Aquele sorriso de menino indefeso,

Que agora não existe, Oh! Quanto sôfrego.

 

 

MIMO À SAUDADE 

Autor: MAILSON FURTADO VIANA (Verjota, CE)

 

Embora reclame, diga que não goste

pior seria se não tivesse alguém

p’ra sentir saudade.

Saudade de voltar àquele instante

e remontar agora o bastante

presente que se enfeitou por ter alguém a pensar.

 

Pensando bem, a saudade é algo tão bonito

e lhe dá outra certeza

que só há saudade quando se sabe amar.

 

E a saudade que está em minha mente

não é nada além que simplesmente

a presença quando existe o ausente

de qualquer instante que se busque remontar.

 

 

MORTE DO OPERÁRIO 

Autor: FRANCISCO FERREIRA (Betim, MG)

 

Seria um bom dia para se morrer…

 

Não fosse hoje quarta-feira,

Não fosse fevereiro, verão

Eu não tivesse levantado

E desdenhando a madrugada,

Vergado sob o peso da fábrica

Os olhos vermelhos de álcool

E noite mal dormida

Não tivesse ido trabalhar.

 

Não fosse hoje quarta-feira

Não fosse meados de mês

E entressafra de salário e as contas

Água, luz, condomínio, clube

E o dono do boteco de cara fechada,

Má vontade em servir a pinga,

Não tivesse me atrasado

E perdido o ônibus, o trem, o avião.

 

Não fosse hoje quarta-feira

Não fosse o patrão zangado

O relógio intermitente e delator,

Os olhos inquisidores dos colegas,

O ponto cortado, a ameaça de desemprego,

A mulher exigente e envelhecida

Os filhos, a geladeira vazia

Não tivesse avançado o sinal.

 

Não fosse hoje quarta-feira,

Fevereiro, verão, meados de mês

Não fosse…

 

Não fosse hoje quarta-feira…

 

 

O VERSO 

Autor: JEFFERSON RANGEL (Curitiba, PR)


O verso me pede

Que faça-o meu

Que habite em si

Que deixe-o ser

Que seja dele

Que seja eu

Que ele

Que seja

Que saia

Que surja

Que soe

E silencie.

 

 

ONTEM 

Autor: JEFFERSON RANGEL  (Curitiba, PR)

 

É medo

Escuro silêncio

Barulho de vento

É pavor

Sombra escura

Silêncio absurdo

É morte

Hora sombria

Ou nada.

 

 

PLEXO, AMPLEXO 

Autor: GERALDO TROMBIN (Americana, SP)

 

Desse mundo sou anexo,

Da correria, conexo,

Vivendo momento

Ora côncavo, ora convexo.

 

Habitado por um ser

Muitas vezes sem nexo,

Outras, totalmente complexo,

Vejo o Homem nada flexo,

Com o braço sempre inflexo,

Não fraterno, desconexo,

Trilhando caminho implexo,

(R)existindo em ato irreflexo.

 

Dos tempos modernos,

Já anunciava Carlitos,

Tudo isso é reflexo.

 

Genuflexo,

Em meu próprio templo circunflexo,

Independente de idade, raça e sexo,

Pergunto ao universo perplexo:

Como viver bem sem

Prazeroso, carinhoso

E caloroso amplexo?

 

 

POESIA. LEVE! 

Autor: THIAGO DOMINGUES (São Bernardo do Campo, SP)

 

Tudo que flutua

ATUA

Voa para dentro

E não aterrissa

BRISA

Sentimento

passo lento

Consumo

Barulho

Multidão e solidão

Vista plana da poesia

ESBARRA

Passa pelo chão

Sem saber o que é céu

Passa pelo coração

EM

Desinteresse cruel

O que fiz de mim

De mim mesmo?

PREGUIÇA!

Soluça

Procura

come

Cansa…

Deslumbra

Espetáculo ou vida (?)

A questão continua.

 

 

PROSA-POESIA 

Autora: MARIANA CINTRA (Bragança Paulista, SP)

 

Amor: que é isso?
Só vi em poesia;
dizem que é bonito,
gostoso de sentir
– não sei.

Mas dizem que é calmo
e simples como um verso;
assim eu o imagino:
tranquilo porém paradoxal,
como um verso que mesmo indo até o final
deixa um tantão da linha em branco!

E em poesia imagino um beijo calmo,
um abraço no fim da noite,
um suspiro de incerteza.
Como um verso quero que seja
meu amor quando se tornar verbo;
quero compor versos infinitos
com orações trazendo gerúndios.

Mas quando viver o amor com força
quero que despeje em mim como prosa,
inconsequente até o ponto final
– sem espaços em branco.
Pois quero o amor tal como é;
quero corridas na chuva, brigas na rua,
tapas no ombro, abraços de medo,
batidas de porta, gritos de raiva,
valsas na areia, beijos no mar.
Não quero poesia,
quero viver em prosa esse tal de amor-amar.

 

 

QUANTO? 

Autor: ANDRÉ TELUCAZU KONDO (Caraguatatuba, MG)

 

Quanto de criança

cabe na imaginação?

Quanto de juventude

cabe na ação?

Quanto de maturidade

cabe na decisão?

Quanto de velhice

cabe na iluminação?

 

Cada um sabe

o que cabe

a qualquer tempo

no coração.

 

 

RAPADURA 

Autor: ANDRÉ MASCARENHAS (Sorocaba, SP)


Raspa, mas é dura

A realidade viscosa

Em busca de um alimento

Para a barriga polvorosa

 

Duas notas transfiguram

Num ronco apelativo

Afinadas com a finura

Do corpo semi-vivo

 

Sem comida, sem mistura

Chora a criança em solo rachado

Que parte os dentes na loucura

De engolir o amargo melado

 

Devorando numa vã tentativa

De sair de sua precoce decadência

Tão longa quanto o declive

De sua injusta e comum existência

 

 

SEXTO SENTIDO 

Autor: PATRIK OENING RODRIGUES (Campo Grande, MS)

 

Acordou com um pesadelo

Pensava no filho.

 

Enquanto a dez quadras dali,

A confusão tomava forma.

 

Para ela um inaudível estampido

Mas sentiu.

 

Sentada na cama seu coração palpitou

E sem querer,

Uma lágrima escorreu.

 

 

SINFONIA DO SILÊNCIO

Autora: ADENILZA ALMEIDA LIRA (São Paulo, SP)

 

Sem sonhos suaves

Saudade sente somente

Se o som silencia.

Sentidos simples sucumbem

Ao soar dos sinos silenciados.

Sem sinais similares

À sua suavizada sina

Salta sozinho suavemente

Sobre símbolos de sagacidade.

Súbito sente silenciar sentimentos

Solitários salvando-se somente

Na santidade desta sinfonia…

 

 

VAZIO 

Autor: JENNY BERTO ((Sarandi, PR)

 

O vazio havia perdido o hábito de me pegar.

Sou, portanto, neste momento,

vítima de um vazio destreinado,

que luta contra resquícios dos meus sentimentos arduamente forjados.

 

Ao estimulá-los por vontade, esqueci-me do que acontece

quando dois sentimentos opostos ao mesmo nível

convivem no mesmo momento: anulam-se.

 

Eu não me sinto triste, ou frustrada, ou desanimada.

O vazio não é só é uma espécie de indiferença…

É a pior delas.

Eu não me sinto satisfeita, ou eufórica, ou maravilhada.

O vazio é a ausência de qualquer outra coisa,

é, cruelmente, a auto-indiferença da alma.

Eu simplesmente não me sinto.

 

 

VAZIO SIDERAL 

Autor: ANDRÉ TELUCAZU KONDO (Caraguatatuba, SP)

 

Quando vejo tua face

Aqueço-me

Ou melhor,

Tu me aqueces

 

Quando teus cabelos dourados

Roçam em meu peito agitado

Brilho

Ou melhor,

Tu me fazes brilhar

 

Nem sempre foi assim

Só agora o nosso amor

Ondula este começo-fim

Como um poema de Platão

 

Tu partiste

Viraste estrela

Eu fiquei

 

Mas mesmo sendo o meu sol

E eu mera poça de saudade

Tenho a certeza

De que ainda me amas

 

Pois se assim não fosse

Por que tentarias

Para perto de ti me levar?

 

Sempre que nossos olhares se cruzam

No vazio sideral

Minha alma evapora

E entre lençóis de nuvens

Te abraço no céu.

 

 

VÊ O MUNDO LÁ FORA 

Autora: RENATA DE OLIVEIRA SILVA (Diadema, SP)

 

Tem um mundo gigante lá fora,
uma fortaleza, de contrastes, 
receita do saber,
cada pessoa uma caixinha de surpresa,
cada um uma história pra alimentar um nova vida,
o mundo não pára, 
o mundo não espera,
desbravar as terras, apresentam me os mares, 
seus povos seus lares.
ele pede mais do que tem muito,
ele pede tudo a quem não tem nada,
depois da janelas,

vê o horizonte que lindo
há mais do que a visão pode tocar,
conhecer e deixar se transformar, 
experimentar,

crescer,

ser
Temores prenderam pernas,
impediram passos,

criaram tropeços
Mas o conhecimento espantou o medo,
abriram caminhos,

doou a direção,
apanhou lágrimas,

segurou a mão.
Vê o mundo lá fora, 
além da portas trancadas,
Vê o mundo lá fora, 
não pela tv ou pelos jornais,
permita se tocá-lo, 
Vê o mundo lá fora, 
colecione histórias, 
lute, brigue
ria, chore
abrace, dance ou deixe ir embora
mas não deixe, não
de conhecer o mundo lá fora.

Que começa onde as janelas e portas terminam.

 

 

VOCÊ 

Autora: ANDREIA LOUREIRO (Maringá, PR)

 

Diz-se que uma alma gêmea é o nosso ajuste perfeito. A alma gêmea é alguém com quem nos sentimos seguros para revelar nosso verdadeiro eu. 


A alma gêmea é alguém que partilha os nossos mais profundos anseios, nosso senso de direção na vida.

A alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo sobre você, a pessoa que traz a sua própria atenção para que você possa mudar sua vida. 

A alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você pode encontrar.

A alma gêmea irá mexer com você, mostrar-lhe os seus obstáculos, seus vícios e quebrar o seu coração… para que você se torne melhor do que já é.

Acredito que já saibas quem é sua alma gêmea.

 

O INDIANISTA 

Autor: EDWEINE LOUREIRO DA SILVA (Manaus, AM)

 

É festa na tribo

dos Tupinambás:

celebra a Nação

à conquista da paz.

 

No centro da aldeia,

guerreiros e curumins

fazem uma dança

e cantam assim:

 

Eu sou um índio guerreiro,

que vou para mata caçar.

Quando chego àquela serra,

Vejo as araras voar.”

 

Dança o Cacique,

dança o Pajé:

Agradecem a Tupã

neste Rito de Fé.

 

E a tudo isso

observa o escritor,

enquanto faz versos

da Aldeia em Louvor.

 

Salve o Literato

Antônio Gonçalves Dias:

O Filho das Três Raças

fez do Índio sua Poesia.

 

 

DEBAIXO DO CÉU ESTRELADO

Autor: ÍCARO OLIVEIRA (Maringá, PR)

 

Sem saber

Que um dia iria te encontrar,

Tento esconder

Mas meu coração não consegue disfarçar.

 

Que existe um longo caminho

Mas a Lua pode nos guiar e dia após dia irei te conquistar,

Com amor e sinceridade

Pois agora sei o que é felicidade.

 

Nunca esquecerei o sabor dos lábios que beijei

Debaixo do céu estrelado como desejei,

E as estrelas podem provar

Que me apaixonei desde o primeiro olhar.

 

Envolvido nessa emoção

Como posso entender?

Os meus sentimentos mudaram

Depois que conheci você.

 

Aos deuses rezei

Pedi um amor

E por fim te encontrei.

 

Ao cair da noite

Penso em te procurar

Te ver é mais do que querer

E nada vou fazer enquanto não me declarar.

 

 

OBSERVADOR DE DEUS 

Autor: JHONAS PEREIRA DOS SANTOS (Maringá, PR)

 

A todas as criações,

Um observador perspicaz

Tenta entrever uma harmonia.

Por onde passou a vida?

E se passou,

Quem inventou?

 

Na falta de uma ciência exata,

Que não pode alimentar a alma

Uma tênue intuição nos diz:

Existe um Deus

Sem limites em sua onipotência.

O mantenedor do universo

Que vai além de todas as ciências.

 

E ainda assim,

Um observador curioso

Ultrapassa o seu esforço,

Procurando um Deus

Querendo um rosto

 

Deus é,

Em toda sua graça

Um enigma

Para quem o retrata,

Mas é um pai,

Muito presente

No coração do inocente.

 

 

MEU SONHO 

Autor – EDUARDO CHIERRITO DE ARRUDA (Maringá, PR)

 

Ao render do meu corpo em repouso,

Ao fechar dos olhos, e os olhos se abrem,

E os sinos que no dia não está, batem,

E os contos de fadas, mesclam pra meu gozo,

 

Às vezes são dores, e medo,

Nosso chefe se torna o bicho papão,

E eu sou herói e também o vilão,

Mas que esse seja um segredo,

 

Vovô doente brinca nas águas turvas,

Mas eu o chamo para a churrasqueira,

No balanço minha mãe em brincadeira,

E sol, começa a fazer suas curvas,

 

Abrem-se os olhos, de algumas coisas me lembro,

As coisas que eu não sei conversam comigo,

O eu que não conheço quer ser meu amigo,

Mas na inconsciência, eu ainda não entendo.

 

 

SONETO DO RECOMEÇO

Autora: PATRÍCIA TIEMI KIKUTI ORITA (Maringá, PR

 

Um olhar diz muito, mas os gestos

Simbolizam a afabilidade do almejado

Quando no ensejo colhe rosas da natureza,

Para trazer ao meu dia, a alegria da leveza!

 

As rosas espalham-se durante as semanas,

Às vezes no pára-brisa do carro, esta a beleza,

Às vezes atrás das costas, encontra-se a surpresa,

Às vezes pergunta a cor, desafiando a certeza!

 

Mas ele sempre diz que o objetivo das flores,

É devolver a doçura e suprimir a tristeza,

E somente ele o faz, com imensa sutileza!

 

No recomeço, nasce o sorriso de pureza,

Nasce a paixão que o beijo poliniza,

Nasce o florir do amor, com grandeza.

 

 

LIBERDADE 

Rodrigo Sette (Maringá, PR)

 

Somos livres para viver,

pois a vida é única, tem seus altos,

baixos, mas vale à pena cada lição,

cada segundo, cada momento.

Somos livres para amar,

o verdadeiro amor é infinito,

é gigante, nunca desiste,

assim se descobre que ele é eterno.

Somos livres para pensar,

porque através da razão,

do conhecimento, do sentimento,

que nos tornamos humanos.

Somos livres para agir,

é através do trabalho árduo,

da vontade, da determinação,

que se constrói um mundo melhor.

Somos livres para sorrir,

somente através da felicidade,

levaremos vida, criatividade,

onde falta perspectiva e esperança.

Somos livres para falar,

porque através da comunicação,

que iluminaremos com sonhos,

aonde persistem as trevas da ignorância.

Somos livres para abraçar,

assim levaremos carinho,

afeto, gratidão, esperança,

aonde a guerra toma o lugar da paz.

Somos livres para criar o imaginário,

acreditando que será através da fantasia,

do sonho, que encontraremos,

o verdadeiro caminho para liberdade.

 

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